Esta figura ilustra bem o Testemunho abaixo.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
TESTEMUNHO
Provando a Fidelidade de Deus
Ainda lembro-me da surpresa e satisfação da minha mãe ao abrir uma caixa de vidros para compota fabricados pelas empresas Kerr e encontrar um folheto com o incomum titulo: a cura de Deus para a pobreza. Não lembro se mamãe leu o folheto para um, entretanto, recentemente, descobri a extraordinária historia de Alexander Kerr e as circunstâncias envolvendo tal folheto.
Aos 14 anos, Kerr converteu-se por meio do ministério de D.J. Moody e uniu-se à Igreja Presbiteriana. Alguns anos mais tarde, ele leu um livro que transformou sua vida completamente. O livro narrava a historia do patriarca Jacó, que fez um voto a Deus: “de tudo quanto me conceder, certamente eu te darei o dízimo” (Gn 28.22).
Kerr ficou muito impressionado de como Deus abençoara a Jacó, depois de ter vivido 20 anos com seu tio Labão. O patriarca tornara-se um dos homens mais ricos do leste, em virtude de ter sido fiel a aliança feita com o Senhor.
Muito embora, não fosse sem dúvidas, Kerr tinha um sincero desejo de provar essa promessa bíblica, e assim, fez uma aliança especial segundo o qual separaria uma certa porcentagem de sua renda para a obra do Senhor. Naquele tempo, a sua modesta casa estava hipotecada, tinha muitas dívidas e muitas preocupações financeiras. Todavia, Kerr estava determinado a provar a Deus como Jacó: (PV 3.9-10; Lv 27.3-2; Gn 14.20; 13.2, e principalmente Malaquias 3.7,18).
Três meses depois que o senhor Kerr começou a dar o dízimo, ele recebeu uma benção inesperada e imprevisível. Pareceu-lhe que Deus havia aberto os seus olhos para contemplar Seu amor e sublime fidelidade no cumprimento de suas promessas com respeito ao ofertar.
Naquele mesmo ano, mesmo possuindo apenas um pequeno capital, Kerr estava convencido de que as promessas de Deus precisavam ser experimentadas. Assim, ele fundou a Fábrica de vidros para compota Kerr, que mais tarde veio a ser uma das maiores empresas do ramo nos EUA. A fabricação funcionava em São Francisco na mesma época em que aconteceu um grande terremoto naquela cidade. Todo o seu capital estava investido na sua empresa quando, repentinamente, o devastador terremoto atingiu São Francisco. Foi então que seus amigos foram até ele para manifestar que temiam pelo pior: “Kerr, você é um homem arruinado”. Sua pronta resposta foi: “Não acredito nisso, se eu estiver arruinado, então a Bíblia não pode ser verdadeira e sei que Deus não irá retroceder em nenhuma de suas promessas”. Ele enviou um telegrama para S. Francisco e a resposta foi a seguinte: “Sua fábrica está localizada bem no centro do incêndio, e sem dúvida está destruída. O calor é tão intenso que, por mais alguns dias, será impossível nos aproximarmos para verificar o real estado das coisas”.
Que período de provação foi aquele! No entanto, a sua fé não vacilou, pois Kerr permanecia firme em Malaquias 3.11: Por vossa causa, repreenderei o devorador, para que não vos consuma o fruto da terra; a vossa vide no campo não será estéril, diz o SENHOR dos Exércitos. Ele ficou inabalável por uma semana e, logo depois, recebeu outro telegrama com os dizeres: “Tudo em um raio de dois quilômetros e maio ao redor de sua fábrica está queimando, mas sua fabrica milagrosamente está salva”.
O senhor Kerr, imediatamente, embarcou em um trem para o Oeste. Ao chegar, descobriu que o fogo alastrara-se pelas imediações ao derredor de sua fabrica e as cercas de madeira que rodeavam o prédio até mesmo nem ficaram chamuscadas. Ok prédio era, sem duvida, o mais inflamável da região e nele até mesmo usava-se óleo como combustível. Contudo nenhum pote de vidro sequer foi quebrado pelo terremoto ou destruído pelo fogo.
Para todos, tal fato foi um visível milagre da poderosa proteção divina. Deus mostrou a um homem, que acreditara na Sua promessa com relação ao dízimo, que esta nunca seria violada seja qual fosse a situação.
Em 1912, o Sr Kerr escreveu seu primeiro folheto intitulado: “A cura de Deus parra a pobreza”. A esse folheto seguiu-se outro: “A lei monetária de Deus para sua prosperidade financeira”. Um desses folhetos era colocado em cada caixa de vidros para compota. Foi um desses folhetos que fora encontrado por minha mãe.
Devemos tomar o cuidado de perceber que, no caso de Kerr, sua atitude era um principio de vida e não somente suja confiança no dar o dízimo. Ele conheceu o Deus que concebera todos esses princípios. Durante sua vida, em todos os negócios nos quais se envolvia, recolhia-se o dízimo. Conta-se que o ganho com investimentos financeiros eram tão grandes, que ele criou um fundo especial para financiar a distribuição, ao redor do mundo, de folhetos e Bíblias.
Milhares ficaram maravilhados de como esse homem saiu da pobreza para a riqueza, simplesmente, porque acreditara que Deus honraria sua promessa. É bem verdade que Kerr manteve-se firme na promessa concernente ao dízimo e que Deus honrou Sua palavra. Devemos também reconhecer que Kerr não se acomodou na posição de ser o alvo da benção de Deus. Ele deixou o legalismo (de dizimar) para desfrutar o gozo da graça de dar.
Não importa que palavras sejam usadas, estou convencido de que Deus está constantemente procurando por aqueles que não ficarão confinados a viver na janela menor, mas permitirão que Ele os use para demonstrar a superabundante benção que resulta do viver na janela maior.
Verdadeira Prosperidade
Texto Bíblico: Lucas 18.18-30
Qual o teu maior bem?
Desenvolvimento
O falso poder da riqueza lembra-me da história do jovem rico. Após uma discussão sobre a vida eterna, Jesus pediu-lhe para vender suas posses, dá-las aos pobres, e segui-lo. Infelizmente, o homem “retirou-se triste, porque era dono de muitas propriedades”. Este fato inspirou a lição de Jesus aos discípulos: “Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas!” (v.24).
Para termos a verdadeira prosperidade, a Palavra de Deus ensina que :
1)-Devemos ajuntarmos tesouros no céu
18.22 Ouvindo-o Jesus, disse-lhe: Uma coisa ainda te falta: vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro nos céus; depois, vem e segue-me.
Não é incomum sabermos de historias de pessoas que deixam toda a herança e vão viver entre os pobres. Para quem pensa que bens são tudo pergunte a algumas delas o que pensam sobre o dinheiro. A maioria delas percebem a desgraça que ele se tornou em suas famílias.
Jesus mostra aquele jovem rico deveria se desvencilhar da segurança própria e tirar os olhos desta terra e colocá-los no céu. A causa de muita gente que anda penando neste mundo é que tem a vida fincada neste mundo.
1 Coríntios
15.19 Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens.
O senso de eternidade torna muita gente liberta e confiante. Quem tem senso de eternidade vê tudo aqui como transitório, passageiro.
O apostolo Paulo tinha muita tranqüilidade ao dizer que sabia contentar-se com tudo e podia tudo naquele que o fortalecia (Fp 4.13). qual o motivo?
Filipenses
3.20 Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo,
Para termos a verdadeira prosperidade, a Palavra de Deus ensina que :
2)- Devemos confiar na provisão de Deus
18.23 Mas, ouvindo ele estas palavras, ficou muito triste, porque era riquíssimo.
Jesus o havia convidado para deixar de confiar nos seus bens e confiar e andar com Ele. Aquele homem queria segurança das coisas, mas deveria aprender a andar como Jesus. O contato de Jesus era com o Pai, ele não tinha segurança deste mundo.
Não há nada errado em alguém possuir bens, mas é um problema quando os bens possuem uma pessoa. Ela se torna escrava a serviço das riquezas e tudo o que toca nisso tira a sua paz.
Jesus gostaria de ensinar ao homem o mesmo que ensinava aos seus discípulos mais chegados: que o Pai providenciaria tudo que necessitassem.
Mas viver assim é algo completamente revolucionário e contra a corrente deste mundo. Por isso Jesus afirmou:
18.24 E Jesus, vendo-o assim triste, disse: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas!
18.25 Porque é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.
Você confia na provisão de Deus para a tua vida?
Para termos a verdadeira prosperidade, a Palavra de Deus ensina que :
3)- Andar com Jesus deve ser a prioridade
18.28 E disse Pedro: Eis que nós deixamos nossa casa e te seguimos.
18.29 Respondeu-lhes Jesus: Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou mulher, ou irmãos, ou pais, ou filhos, por causa do reino de Deus,
18.30 que não receba, no presente, muitas vezes mais e, no mundo por vir, a vida eterna.
Pedro estava querendo lembrar a Jesus de que eles haviam renunciado a tudo. É como se perguntasse: e daí mestre?! Então a resposta foi muito recompensadora: vocês receberão muito mais neste mundo e depois a vida eterna.
Mas afinal os discípulos morreram como mártires por pregarem o evangelho, não é mesmo? Isto mostra que encontraram um sentido para a vida muito superior ao que se prega e crê num mundo sem Deus. Quando encontramos a Palavra da vida, que nos enche de esperança e transforma nosso viver, tudo ao redor se torna secundário. A presença de Deus é muito mais importante e satisfatória. Os discípulos descobriram que andar com Jesus era mais significativo do que viver sem ele:
João
6.68 Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna;
Quando Jesus e o Reino é a nossa prioridade, o Pai nos recompensa diariamente:
Mateus
6.31 Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos?
6.32 Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas;
6.33 buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.
Conclusão/Desafio
Jesus não é contra a riqueza, apenas se entristece quando a valorizamos mais do que a Ele. Podemos trabalhar com afinco e ganhar dinheiro, mas quando isso torna-se o maior objetivo da vida, então Jesus não o é. Colocá-lo em primeiro e mais importante lugar de nossas vidas é a chave para a verdadeira prosperidade.
Não permita que riquezas — ou a busca de riquezas — desviem-no de sua busca por Jesus.
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Para meditar

Estou lendo este livro de Brenan Manning. . Uma Preciosidade para a edificaçao espiritual. Quando entregamos nossa vida ao Senhor, nos tornamos filhos e filhas. Você sabe o poder que essa declaração carrega? Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome (João 1.12). O filho e a filha tem plena confiança no pai. Assim o Senhor deseja que tenhamos uma relação firme de parentesco que vive feliz por pertencer a uma linhagem tão sublime. Brennan Manning destaca que entre seus inumeráveis filhos, a quem Ele tanto ama e cobre com carinho e favor, há de fato poucos que, realmente confiando-lhe a vida, vivem como verdadeiros filhos de Deus. Há poucos que reagem a sua bondade com uma confiança inabalável própria de um filho.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Saúde no ministério pastoral: anotações práticas
fonte: Prof. Ronaldo Sathler Rosa
"Ter saúde é ter coragem para viver, coragem para sofrer e coragem para morrer"
(Jürgen Moltmann)
O tema da saúde adquire grande relevância nas sociedades contemporâneas. Vários profissionais, organizações sociais e instituições encontram-se envolvidas em atividades de contínua Educação para a Saúde de indivíduos, comunidades e famílias. A meta da educação para a saúde, em olhar cristão, é o alcance de nível elevado de bem-estar integral e o máximo de harmonia no convívio entre os humanos, com a natureza e com o Criador. Nesse quadro se insere a atenção à saúde daqueles e daquelas que são, entre outros, agentes importantes na promoção da saúde: mulheres e homens vocacionados ao pastoreio cristão.
Esboço, a seguir, a partir da experiência de colegas, de minha própria vivência pastoral e de estudos recentes, alguns fatores que podem ajudar pastores e pastoras no processo de alcançar-se certo grau de saúde que inspire e favoreça o mesmo bem-estar de eclesianos e daquelas pessoas que nos sejam mais próximas.
Outro dia, um pastor que se aproxima de seu vigésimo ano de ministério, falou-me de suas preocupações com a própria saúde e de seus colegas. Saliente-se que esse colega não se encontra “doente” no sentido limitado que é atribuído ao termo: alguém com sintomas físicos identificados, em fase de tratamento ou não. Observou que, por exemplo, o fato de pastores e pastoras serem administradores de seu próprio tempo favorece a ausência de disciplina pessoal que permita organizar melhor seu cotidiano. A auto-disciplina conduz à melhor administração do tempo. Cria espaços diários para oração, para estudo das Escrituras, para leituras, preparo das atividades, convívio familiar, atendimentos, visitação pastoral, além dos costumeiros imprevistos e outras. Não há regras rígidas para estabelecer-se certa organização do tempo. Cada pessoa pode montar seu próprio esquema de cuidados pessoais e agenda de trabalho. Faz bem à saúde, evita atropelos, correrias e abuso de improvisações.
Esse pastor disse, também, que conhece poucos colegas que fazem exercícios físicos regularmente. A prática rotineira de atividades físicas, devidamente orientadas e ajustadas à condição particular de cada um, é fator positivo para a eliminação de cansaços desproporcionais e para o equilíbrio da personalidade. A vida sedentária atinge, obviamente, o humor, a vitalidade, e pode comprometer o exercício prudente e responsivo do ministério pastoral.
Observou também que às vezes o dinheiro é mal gasto. Consome-se produtos que não favorecem uma dieta equilibrada que proporcione bem-estar e renove forças para lidar atentamente com os desafios do ofício pastoral. Lamentavelmente os meios de comunicação social, embora haja exceções, não dão devida ênfase às recentes descobertas científicas que valorizam o consumo de legumes, hortaliças e frutas, além de mais água e menos refrigerantes. Hábitos saudáveis, adaptados a cada pessoa, requerem “mudança de cabeça” e atitudes de não submissão às pressões por consumo exagerado de produtos que não alimentam.
A dificuldade que muitos homens demonstram em expor suas inquietações, seus sofrimentos a alguém de sua confiança é fator de patologias. Aliás, suspeito que a saúde das colegas pastoras é, geralmente, melhor do que a de pastores. Uma provável explicação deve-se ao fato de que as mulheres, em geral, não retêm para si suas preocupações. Buscam ombros de outros onde se apoiar e, assim, desenham o caminho da cura. Pastores e pastoras atuam em marcos centrais da vida humana: sentido da existência, dúvidas, relacionamentos, tomadas de decisões, afetividade, responsabilidade social e política... São questões que “mexem” muito com o interior da pessoa, seus relacionamentos mais fundamentais, com sua fé e com valores. Sofre-se com sofrimentos e dúvidas de outros. São, portanto, fatores potenciais de desestabilizações emocionais e interferem em relacionamentos familiares e outros.
A responsabilidade pelo cuidado da saúde não é de médicos. Cada pessoa é encarregada de sua própria saúde. É claro que profissionais de medicina e ciências afins devem ser consultados não apenas em situações de dor física, mas, principalmente, para assitir no importante trabalho de prevenção de condições doentias. Todavia, é bom lembrar que em nossa cultura brasileira os homens, em geral, não dão muita importância ao aspecto preventivo para o seu próprio bem-estar integral. O “cuidar de si”, tanto corretiva como preventivamente, é condição para “cuidar de outrem” por meio do cuidado pastoral.
Finalmente, outro fator que contribui para que não se dê maior atenção à saúde entre pastores é a ausência de uma Teologia da Saúde: a saúde considerada como inserida na mensagem cristã da salvação. Não se restringe, portanto, às curas das patologias individuais e da sociedade. A mensagem da salvação visa à criação de novo modo de vida, de renovação da mente, de novas atitudes em linha com os ensinamentos das Escrituras. Uma causa provável da pouca atenção da teologia sobre a saúde, deve-se à ênfase unilateral na “união da alma com Deus”. O corpo, é, então, ignorado. Sofre a alma com o corpo danificado; sofre o corpo com a alma ferida!
Em resumo, hábitos simples como cuidadosa organização de seu dia, a prática de exercícios físicos, atenção à qualidade dos alimentos que consome, ter alguém a quem abrir-se em confiança e aceitar que o cuidado com a saúde é, primeiramente, responsabilidade pessoal, podem ser canais de cura e de alegria. Resta-nos continuar o caminho na reflexão sobre a Teologia da Saúde.
Ronaldo Sathler-Rosa, professor titular aposentado da Universidade Metodista de São Paulo. Presbítero da Igreja Metodista na 3ª. RE.
Entrevista: Estresse pastoral
fonte: Expositor Cristão
Entrevista com o psicólogo e pastor metodista, Josias Pereira, concedida ao Jornal Expositor Cristão em junho de 2010, p. 8 e 9.
Qual é o maior estresse entre os pastores/as: físico ou psicológico? Por quê?
Resposta: No caso das atividades específicas do pastorado o estresse é sempre psicológico (emocional e mental), pois não há desgaste orgânico, porém, quando não se manifesta com distúrbios psíquicos ou emocionais produz o desencadeamento das somatizações, que são os sintomas orgânicos que se manifestam em quaisquer árias do organismo: cardíacas, circulatórias, gástricas, respiratórias, urinárias, neurológicas, dermatológicas, musculares ou esqueléticas (ossos). Em fim qualquer parte do corpo pode ser atingida. São as doenças psicossomáticas. Elas podem atingir as pessoas em qualquer faixa etária.
Quando o distúrbio se manifesta somente no âmbito mental, psicológico ou emocional é mais difícil de ser compreendido, e, no contexto religioso, pode ser atribuído a manifestações espirituais ou demoníacas, dada a sua subjetividade, já que é sentido, mas não pode ser entendido e nem tampouco ser explicado. Estes estados são modernamente chamados de Síndrome de Burnaut e que popularmente é conhecido como esgotamento nervoso.
Por que isso acontece e qual a razão do ministério pastoral estar mais suscetível?
Resposta: Considerando que o desencadeamento desses processos está sempre vinculado a situações de conflitos psicológicos, tais como valores e costumes confrontados com sentimentos, desejos e opiniões pessoais em relação às cobranças e espectativas da comunidade, além de compromissos e deveres familiares e às próprias necessidades pessoais que nem sempre podem ser efetivadas.
Assim, pela natureza e características do ministério pastoral, cuja carga emocional, dada a variedade de situações adversas, é consideravelmente elevada,há de se convir que o desempenho pastoral é altamente estressante.
Quais são os sintomas que se apresentam com maior freqüência?
Resposta: Não conheço estatísticas confiáveis que indiquem quais sintomas são mais freqüentes.
As manifestações psicossomáticas dependem de uma gama extensa de fatores para o surgimento de sintomas que são oriundos de duas vertentes básicas: as determinantes e as desencadeantes. As primeiras são decorrentes de fatores internos e as segundas de acontecimentos externos. Quando então podem entrar em jogo hereditariedade, suscetibilidade, temperamento ( jeito de ser), história de vida e seus traumas, bem como o potencial individual e outros tantos.
Entretanto, podemos considerar os sintomas em função de suas conseqüências, isto é, hà manifestações somáticas que são graves, porém, não apresentam urgência, pois suas conseqüências ocorrem a longo prazo, tais como fenômenos digestivos ou dermatológicos e outros tantos. Já as agudas são as crises circulatórias ou cardíacas, são os casos de AVCs ( acidente vascular cerebral= derrame cerebral ou infarto cerebral) que exigem atendimento com muita urgência, pois qualquer demora pode ser fatal.
Entretanto, é bom saber que para todos estes casos a prevenção ainda é o melhor.
Existe um período (em anos de ministério) mais estressante para o/a Clérigo/a?
Resposta: A rigor não, pois tudo depende muito das condições pessoais e circunstanciais, bem como das contingências. Mas apesar de não termos conhecimento de dados estatísticos, a experiência indica que é mais provável nos primeiros anos de ministério e nas proximidades da aposentadoria, talvez pela insegurança do porvir, que também se apresentam com freqüência em outras atividades.
Existe um grupo de risco quanto as patologias? Se há um grupo de risco, quais são as propostas ou possibilidades para se tratar essa questão?
Resposta: na minha experiência a atividade pastoral é o próprio risco pelos motivos já apresentados acima. Porém, quanto mais definida a vocação e quanto maior convicção do chamado divino, menor é o risco de estresses, pois o principal fator determinante são os conflitos de valores, embora esteja sempre inconsciente, pois quando conscientizados os sintomas podem a ser resolvidos.
Quanto a riscos agudos é a faixa etária que está entre quarenta e sessenta anos a mais exposta, sendo os quarenta e cinco a referência culminante, daí a importância da profilaxia.
O nível de estresse do clérigo/a pode repercutir no lar? Como evitar essa questão?
Resposta: Sim, inquestionavelmente, pois uma pessoa estressada afeta as outras com as quais convive dispersando o seu mal estar entre os demais, pois o relacionamento inter e intrapessoal é altamente afetado.
José Geraldo Magalhães Jr