terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

A CARNIÇÃO DO CARNAVAL



Segundo Jesus há dois tipos de nascimento: o ato de nascer natural ou carnal e o novo nascimento sobrenatural ou espiritual. Todos os seres humanos chegam nessa terra através de um corpo nascido da carne, mas para alguém poder entrar no reino de Deus precisa nascer do Espírito. Aquele que nasceu da carne necessita nascer do Espírito, a fim de ser feito filho de Deus, pois o Espírito de Deus só se relaciona com o espírito do homem que foi regenerado. O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. Romanos 8:16.


O homem natural vive pelas leis da carne, uma vez que se encontra dominado pelo sistema da carne, mas o homem espiritual tem uma outra esfera de influência completamente diferente. Os dois princípios são divergentes e antagônicos. Não há o menor acordo entre a carne e o Espírito nem uma aliança entre o carnal e o espiritual. Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito contra a carne, porque são opostos entre si... Gálatas 5:17.


O homem natural não pode compreender a vida espiritual dos filhos de Deus. A mente carnal tem tanto interesse pelas coisas espirituais, como um urubu tem um apetite voraz por alpiste. A natureza da carne só se preocupa com as coisas da carne, e não adianta forçar essa tendência primitiva dos instintos carnais. Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus porque lhe são loucura, e não pode entendê-las porque elas se discernem espiritualmente. 1Coríntios 2:14.


Tudo na vida é uma questão de pendor, por isso, nada pode ser mais excêntrico do que um carnal tentando viver uma vida espiritual. A extravagância das aparências patenteia a tremenda patetice da hipocrisia que encobre a bicheira com o manto púrpura, para, de algum modo, pretender ocultar as manchas de sangue, sem, contudo, poder disfarçar o fedor do tecido podre. A conduta reflete sempre a disposição que norteia a natureza da vida. Porque os que se inclinam para a carne cogitam das coisas da carne; mas os que se inclinam para o Espírito, das coisas do Espírito. Romanos 8:5.


A origem do carnaval começa na idade média, quando a Igreja oficial influenciada pelas tradições pagãs, procura esvaziar a tensão da carne reprimida, com uma licença artificial, mas autorizada pela hierarquia do poder eclesiástico. Já que a mensagem burocrática da religião não conseguia promover a conversão do homem carnal em espiritual, o jeito foi permitir um tempo de vazão, para deixar sair a libido reprimida pelas regras e regulamentos dessa camisa de força legalista.A etimologia da palavra carnaval é um tanto duvidosa. De acordo com M Lübke, o vocábulo deriva dos termos latinos, carne e levare, significando o tempo quando a Igreja suprimia o uso da carne no cotidiano; todavia segundo Petrocchi, a origem vem das palavras latinas carne e vale, significando: adeus, carne! Essa é possivelmente a acepção mais provável, pois reflete a tendência do esvaziamento repressivo que caracterizava a religião opressora e dominante da idade média.O carnaval surgiu como uma associação complexa de três festas pagãs: as saturnais, dedicadas ao deus Saturno, com toda a sua orgia, as festas dionisíacas, oferecidas ao deus Dionísio, patrocinador das bacanais, e as festas lupercais consagradas ao deus Luperco ou Pã, para assegurar a fertilidade, e se caracterizava pela alegria desabrida, pela eliminação da repressão e da censura e pela liberdade de atitudes críticas e eróticas.


A receita foi na medida para a propagação de um tempo de folguedo, de recreio desobrigado e desobediente, depois de tanta angústia sufocando a carne.O bloco religioso denominado evangélico vem espiritualizando, hoje em dia, essa bagunça carnal, com o rótulo de cristoval, sob o pretexto de evangelização dos pecadores e divertimento inocente para os jovens da igreja. Com a aparência modificada, o festival da carne assume o controle dessa outra banda do cristianismo, fomentando suas velhas estratégias de esvaziamento da pressão moralista, de uma religiosidade opressora. A espiritualização dos festejos da carne tem causado uma confusão na identificação do perfil da verdadeira experiência cristã. A religião é especialista na arte da santimônia, isto é: a arte da simulação de santidade. Porém é impossível domar o homem velho, a ponto de torná-lo um santo. A carne reprimida consegue por algum tempo portar-se com boa aparência, mas é preciso um escape de vez em quando. A função do carnaval era liberar o freio dos fiéis por três dias, pra que eles se tornassem foliões e assim dessem expansão à carne, esvaziando a tensão contida pelo medo dos castigos.A carne refreada é uma tragédia. Não há cabresto capaz de moderar os instintos da carne, nem educação religiosa suficientemente competente para represar a força carnal.


Por mais que o homem subjugue sua carne com métodos repressores, nada tem conseguido no sentido do descanso espiritual. Muita gente sincera tem procurado com todo empenho dominar com austeridade os seus impulsos carnais, mas sem qualquer sossego na alma. O apóstolo Paulo diz que tais coisas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e falsa humildade, e rigor ascético; todavia, não tem valor algum contra a sensualidade. Colossenses 2:23.A carne sopeada, isto é, sofreada é só piada. É ridículo tentar sufocar os arrebatamentos impulsivos da carne. A história da igreja tem demonstrado o escárnio picante de uma multidão que se esforça para comportar-se adequadamente sob o patrocínio legalista de uma conduta comedida. É impossível alguém conseguir domesticar a carne, por outro lado, liberá-la é um horror.


A carne sem governo é tragédia sem limites, pois esse carnegão do carnaval é realmente podre. Ora, se refrear a carne é impossível, e dar permissão aos seus instintos é uma loucura, qual é então a opção que temos diante do problema carnal? Aqui entra o evangelho da graça realizando um milagre maravilhoso. Não há outro meio capaz de cuidar profundamente do problema da carne, senão Cristo Jesus crucificado. A obra eficiente de Cristo visa alcançar o pecador em toda a sua abrangência. Primeiro, a inclusão do pecador em Cristo na cruz, depois a participação efetiva do salvo na experiência de fé, diariamente.


Os dois lados experimentais da fé cristã se baseiam na verdade bíblica da união do pecador com Cristo, e na confissão pessoal de fé sustentada pela palavra de Deus. Inicialmente o pecador se vê em Cristo, sendo crucificado com ele, e em seguida, os que estão em Cristo carregam diariamente no seu corpo a mortificação do Senhor Jesus. Isso pode ser visto claramente nesse três versículos das Escrituras: E assim, se alguém está em Cristo é nova criação; as coisas antigas já passaram; eis que tudo foi feito novo. E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com suas paixões e concupiscências. Levando sempre no corpo o morrer de Jesus para que a sua vida se manifeste em nosso corpo. Gálatas 5:24, 2Coríntios 5:17 e 4:10.


Ninguém pode refrear a sua carne de modo satisfatório a ponto de gozar perfeita tranqüilidade espiritual, tampouco pode dar vazão a sua carne sem que sofra as conseqüências de uma vida culposa e descontente. O carnicão do carnaval é a carniça de uma vida carnal sem o menor contentamento. Como afirma J Blanchard, a felicidade superficial sem a santidade espiritual é um dos principais produtos de exportação do inferno.


Entretanto, aquele que nasceu do Espírito mediante sua morte e ressurreição juntamente com Cristo pode, de fato, crucificar a carne com os seus desejos, carregando pela fé, sempre e por toda parte, a mortificação do Senhor Jesus em seu corpo. Não se trata de uma auto-extinção, nem de uma flagelação de si mesmo, mas da consciência espiritual de fé, que revela a morte de Jesus na cruz como sendo de fato a morte do pecador. Eu estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim. Gálatas 2:20.


A verdadeira vida cristã não sufoca a carne com expedientes de subjugação, mas por outro lado, não dá vazão aos seus desejos e apelos obsessivos, uma vez que a convicção profunda de fé adota uma postura de levar, sempre e por toda parte, os efeitos da morte de Cristo em sua carne, andando sob a consciência revelada pelo Espírito Santo de que é uma pessoa morta para o pecado. Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgias e bebedices, não em mpudicícias e dissoluções, não em contendas e ciúmes; mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo, e nada disponhais para a carne, no tocante às suas concupiscências. Andai no Espírito, e jamais satisfareis à concupiscência da carne. Romanos 13:13-14 e Gálatas 5:16.

Min. Palavra da cruz.
Shalom.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Gostei muito desta mensagem

Deus nos criou: inventou-nos como um homem inventa uma maquina. Um carro que tenha sido feito para ser movido à gasolina não funciona direito com outro tipo de combustível. E Deus projetou a maquina humana para funcionar a base dele mesmo. Ele é o combustível da qual os nossos espíritos devem se alimentar, não há nenhum outro. Eis porque não é bom pedir a Deus que nos faça felizes do nosso próprio jeito, sem nos preocuparmos com a fé. Deus não pode nos dar felicidade e paz fora de si mesmo simplesmente porque não existem desse modo. Não há nada parecido com isso.

Eis aqui a chave de toda história. Se gasta uma energia enorme, civilizações inteiras são construídas, instituições excelentes são arquitetadas, mas toda vez acontece algo errado. Algum defeito fatal sempre leva pessoas egoístas e cruéis ao topo e tudo cai na miséria e ruína.
De fato, a maquina está trabalhando sob solavancos. Ela até parecia ter dado a partida com tudo certo e andado alguns quilômetros, mas depois quebrou. Estavam tentando faze-la funcionar com o combustível errado. Foi precisamente isso que Satanás provocou em nós, seres humanos.
C.S. Lewis

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Muito interessante...

...do livro que estou lendo, de Eugene Peterson: Qualquer pessoa que idealize a congregação presta um grave desserviço aos pastores. Ouvimos histórias de igrejas en tusiásticas e cheias de charme e nos perguntamos o que estamos fazendo de errado, pois a nosso congregação nao tem nada a ver com isso como resultado da nossa pregação.
Contudo, se examinarmos de perto, nao existe uma congregação perfeita. Permaneça em um templo por algum tempo e voce descobrirá fofocas intermináveis, equipamentos que nao funcionam, discipulos que desistiram, corais que desafinam - e coisas piores. Toda congregação ´euma congregação de pecadores.
shalom.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Para meditar

" Tenho respeito pelas pessoas silenciosas. Podem estar observando nossa estupidez!"

O Discipulo - de Juan Ortiz

Um livro revolucionário, para quem deseja conhecer e praticar o verdadeiro discipulado cristão.
O que é um discípulo?“Discípulo é aquele que segue a Jesus Cristo. Ser cristão não significa automaticamente ser discípulo, embora os cristãos sejam membros do Reino de Deus. Seguir a Cristo implica aceitá-lo como Senhor; significa servi-lo como um escravo. Também significa amar e louvar”.Juan Carlos Ortiz é um escritor sincero e franco; não faz uso de meias medidas.
A mensagem que apresenta neste livro é objetiva e direta, viva e penetrante, fundamentada na Palavra e enriquecida com as inúmeras experiências que o pastor Ortiz viveu com sua igreja. O tema é o amor: amor fraterno, amor comunitário, amor que une e encobre diferenças de opinião. E esse amor leva a uma compreensão radical e coerente do que seja o discipulado cristão, a função do verdadeiro discípulo na Igreja, o Corpo de Cristo.
O tema principal é o amor: amor fraterno, amor comunitário, amor que une e encobre diferenças de opinião. E esse amor leva a uma compreensão radical e coerente do que seja o discipulado cristão, a função do verdadeiro discípulo na Igreja, o Corpo de Cristo.
Vale a pena ler.