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domingo, 23 de março de 2008

O SIGNIFICADO DA PÁSCOA

Na língua hebraica, Páscoa é pesach, que significa passagem ou passar por cima. Era celebrada com a morte de um cordeiro no mês de Abibe (Êxodo 13:4). Abibe significa espigas verdes e corresponde ao primeiro mês do calendário hebraico. Quando Israel estava exilado, este nome foi mudado para Nisã, nome babilônico que significa começo. Abibe ou Nisã para nós corresponde a março-abril.

Páscoa significa libertação. Ela surgiu como uma festa que anunciava o fim do cativeiro opressor do Egito sobre o povo hebreu. Em realidade, o povo hebraico foi liberto não só da opressão do Faraó egípcio, mas também do anjo Destruidor. Lemos em Êxodo 12:23: Porque o Senhor passará para ferir os egípcios; quando vir, porém, o sangue na verga da porta e nas ombreiras, passará o Senhor aquela porta e não permitirá ao Destruidor que entre em vossas casas, para vos ferir. O povo de Israel experimentou duas libertações, a espiritual e a física. Deus ordenou que o sangue do cordeiro fosse aspergido sobre as obreiras e as vergas das casas israelitas. Se não houvesse a marca do sangue na porta, a conseqüência seria a morte do primogênito. O livro de Êxodo 12:13 esclarece: O sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; quando eu vir o sangue, passarei por vós, e não haverá entre vós praga destruidora, quando eu ferir a terra do Egito.

Daquela data em diante, a Páscoa se tornou uma ordenança para o povo hebreu. Guardai, pois, isto por estatuto para vós outros e para os vossos filhos, para sempre. Quando os filhos vos perguntarem: Que rito é este? Respondereis: É o sacrifício da Páscoa ao Senhor, que passou por cima das casas de Israel no Egito, quando feriu os egípcios e livrou as nossas casas. Então, o povo se inclinou e adorou. Êxodo 12:24; 26 e 27.

Havia todo um cuidado na escolha do cordeiro que ia ser sacrificado. Devia ser um animal de características especiais. O cordeiro não podia ter deficiência alguma. Tinha que ser o melhor de todo o redil. O sacerdote o examinava minuciosamente antes de seu sacrifício. O livro de Êxodo 12:5a atesta: O cordeiro será sem defeito, macho de um ano. O animal devia ser sem mancha e imaculado. A lei determinava que o animal ofertado não podia ter defeitos: Porém, havendo nele algum defeito, se for coxo, ou cego, ou tiver outro defeito grave, não o sacrificarás ao Senhor, teu Deus. Deuteronômio 15:21.

Para nós cristãos, a Páscoa tem um profundo significado, porque representa a obra que Cristo realizou para nos libertar. Segundo as Escrituras sagradas, as festas eram apenas "sombras das coisas futuras". Está registrado em Colossenses 2:16-17: Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo. A festa da Páscoa apontava para a futura encarnação do Senhor Jesus. Esta comemoração era exatamente uma antecipação figurativa da obra de Jesus no Calvário.

Há algumas similaridades entre o cordeiro da Páscoa e Cristo, a nossa Páscoa. Já vimos que o sacerdote examinava cuidadosamente o cordeiro que ia ser ofertado; este sacrifício acontecia no dia 14 de Abibe - abril - (Êxodo 12:6). Os evangelhos registram a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém poucos dias antes de sua crucificação, e esta entrada se deu exatamente no momento em que o povo estava trazendo os seus cordeiros pascoais para que os sacerdotes os examinassem. O cordeiro era submetido a um rigoroso exame pelo sacerdote antes de ser apresentado para o sacrifício. Observemos o Escrito sagrado: Nos convinha um sumo sacerdote como este, santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores e feito mais alto do que os céus. Hebreus 7:26.

O texto acima nos mostra que o Senhor Jesus tinha que ser declarado totalmente imaculado. As Escrituras registram o modo pelo qual o Senhor Jesus foi examinado. No livro de Mateus 22:15-46, encontramos Jesus, o Cordeiro de Deus, sendo minuciosamente investigado pelos herodianos, saduceus, escribas e fariseus, e nenhum deles conseguiu achar no Senhor qualquer defeito que o incriminasse. Os textos a seguir mostram o atestado de perfeição do Senhor Jesus, o Cordeiro de Deus: Ouvindo isto, se admiraram e, deixando-o, foram-se. Ouvindo isto, as multidões se maravilhavam da sua doutrina. E ninguém lhe podia responder palavra, nem ousou alguém, a partir daquele dia, fazer-lhe perguntas. Mateus 22:22; 33 e 46.

Não somente os judeus testificaram que Jesus era perfeito, mas também a autoridade civil que representava Roma não viu no Cordeiro de Deus nenhuma mácula. Lemos em João 19:4: Outra vez saiu Pilatos e lhes disse: Eis que eu vo-lo apresento, para que saibais que eu não acho nele crime algum. Por três vezes Pilatos declarou a inocência do Salvador. Jesus, o Deus encarnado, era o perfeito Cordeiro que seria sacrificado por indignos pecadores. No evangelho de João 1:29 constatamos o testemunho de João Batista: No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.
O cordeiro pascal aponta com clareza para o Senhor Jesus Cristo, pois em vários lugares as Escrituras sagradas confirmam: Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal foi imolado. 1 Coríntios 5:7b; Sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo, conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém manifestado no fim dos tempos, por amor de vós. 1 Pedro 1:18-20; E, vendo Jesus passar, disse: Eis o Cordeiro de Deus! João 1:36; Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a sua boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca. Isaias 53:7.

Assim como Deus usou o cordeiro pascal a fim de livrar os filhos de Israel no passado, da mesma forma agora Ele usa o Senhor Jesus, o nosso Cordeiro pascal, para nos salvar. Assim como os filhos de Israel foram salvos pelo cordeiro, também somos hoje salvos pelo Cordeiro de Deus, o Senhor Jesus. Os filhos dos hebreus não foram salvos porque neles havia algum mérito, mas porque o sangue do cordeiro tinha sido aspergido na verga e nas ombreiras de suas casas. Da mesma maneira a nossa salvação é fundamentada no derramamento do sangue do Cordeiro de Deus, e não em nossas boas obras.

O Senhor Jesus foi levado à cruz em conseqüência de nossos pecados. Foi a nossa maldade que levou a Cristo para aquela morte tão cruenta. Eis o diagnóstico bíblico a respeito do homem: Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus. Romanos 3:23. Watchman Nee, tratando sobre a Páscoa explica: Assim como os filhos de Israel não tinham outro meio de livramento a não ser pela confiança no sangue do cordeiro pascal, nós também não temos salvação a não ser pela confiança no precioso sangue do Cordeiro de Deus.

O Senhor Jesus realizou uma obra perfeita na cruz, e o profeta maior descreve detalhadamente, o que o Messias de Deus sofreu, para que nós pecadores, pudéssemos ser salvos: Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Isaías 53: 4-5.

Somente pelo sangue de Cristo que foi vertido na cruz, temos a nossa total justificação diante de Deus. Quando confiamos plenamente na eficácia do sacrifício do Cordeiro de Deus, desfrutamos da graciosa libertação da condenação do nosso pecado. Você crê que Cristo é o Cordeiro de Deus? Somos salvos inteiramente pela graça. O livro de Efésios 2:8 aponta: Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é Dom de Deus. O Cordeiro sem mancha e imaculado é Jesus! O pão que não tem impureza é o corpo de Jesus! O único sangue que purifica, que liberta e salva é o sangue de Jesus! Jesus é a verdadeira Páscoa! Louvado seja Jesus Cristo, o cordeiro de Deus, a nossa Páscoa!
Semeador
Shalom.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Vencendo um gigante


Davi respondeu: Você vem contra mim com espada, lança e dardo. Mas eu vou contra você em nome do Deus Todo-poderoso, o Deus dos exércitos israelitas, que você desafiou. (1 Sm 17.45.)


O povo de Israel tinha um inimigo antigo: o povo filisteu. Constantemente havia guerra entre estes dois povos. Quando Davi ainda era jovem, houve mais uma guerra. Nessa ocasião, os filisteus usavam um “super-soldado”, um homem de estatura descomunal chamado Golias. Por ser um verdadeiro gigante, ninguém em Israel ousava enfrentá-lo. Davi ainda não tinha idade para estar no exército. Mas, quando ficou sabendo dos insultos e desafios lançados por Golias contra o povo de Deus, não se importou com sua pouca idade e resolveu enfrentar o atrevido gigante.


O que humanamente falando era impossível acontecer aconteceu: um rapazinho inexperiente em batalhas, armado com uma simples arma que atirava pedras, derrotou um gigante fortemente armado, veterano de muitos combates. Davi sabia perfeitamente que o gigante foi vencido não por sua própria força ou capacidade, mas porque a bênção de Deus estava em sua vida. Alguns anos mais tarde, Davi disse: “Em Deus faremos proezas” (Sl 60.12).


Qualquer um de nós está sujeito a enfrentar gigantes na vida. São problemas muito difíceis, que por nós mesmos não conseguimos resolver. Entretanto, com a graça de Deus nos fortalecemos e, capacitados, podemos tranqüilamente enfrentá-los e vencê-los em nome de Jesus! Não desanime. Não “entregue os pontos”. Confie no poder do Deus Eterno para enfrentar os gigantes da vida!


Shalom!

sexta-feira, 7 de março de 2008

Vida sem Dividas

Vejo que as Dívidas atormentam muitos cristaos. Veja este artigo e acesse o site no final. será bastante util.
“Ele te emprestará a ti, porém tu não lhe emprestarás a ele; ele será por cabeça, e tu serás por cauda”. Deut. 28:44.

Temos neste versículo, o alerta de Deus para o povo de Israel sobre a desobediência à sua Palavra e a conseqüência de serem subjugados pelo estrangeiro. As comparações à cauda significam servidão. Israel passou a ser cauda das nações, sendo disperso e perseguido desde então. Queremos com este texto fazer uma analogia à condição do homem quando este não dá crédito à Palavra de Deus e age financeiramente seguindo a forma do sistema e seus desejos egoístas. Com isso, ele acaba se endividando e sendo subjugado pelos juros.
Vamos comparar esta condição à de um cachorro. Ele nasceu com cauda e acostumou-se com ela. Nascemos agindo financeiramente como cauda e não imaginamos como é viver sem ela. Estamos acostumados a sermos sempre dirigidos pelo sistema. Pensar que existe uma forma de viver sem dívidas nos é estranho e impraticável, todavia esta é a proposta das Escrituras, e nela temos o sustento necessário seguido do contentamento, o que não ocorrerá se continuarmos agindo como cauda.

Com o peso, a cauda tende a se arrastar no chão. Não será esta a condição depois de algum tempo, sempre mendigando benesses do sistema e esfolando a cauda no pagamento de altos juros, usando mal o suprimento vindo de Deus e sempre achando que precisa ganhar mais? Muitos que dizem crer no suprimento de Deus, vivem anos sendo arrastados de dívida em dívida e pensando ser o único meio de vida, pois, “se não deverem nunca terão nada”, e seguem pela vida sempre assombrados pelos credores. Esta é, realmente, uma subcondição.
A grande maioria das pessoas vive na lógica financeira do mundo. Para eles a análise é sempre em cima do bem ou mal, herdado no jardim do Éden quando Eva viu que a árvore era boa e agradável para dar entendimento. Assim, comeu do seu fruto e desde então o homem vive pelo que acha bem ou mal, certo ou errado, bem diferente do que Deus quer para seus filhos, que vivam pela sua vontade que é boa, agradável e perfeita.

A perspectiva das Escrituras sobre dívidas é clara. Leia, com atenção, a primeira parte de Romanos 13:8, em várias traduções diferentes: “A ninguém fiqueis devendo coisa alguma”.(KJV) “Paguem todas as suas dívidas” (BV). “Fique fora das dívidas e não deva nada a ninguém” (AMP). Agora preste atenção neste testemunho de George Muller(1), sobre o texto:
“1 de dezembro de 1842. Durante os últimos meses, dinheiro e suprimentos continuaram a fluir sem interrupção à medida que eram necessários. Não houve excesso nem falta. Hoje, porém, nada entrou, exceto cinco shillings para o bordado. Temos apenas o suficiente para suprir nossa absoluta necessidade – leite. Não pudemos comprar a quantidade costumeira de pão. Alguém poderá perguntar, "Porque você não compra pão a crédito? Que diferença faz se você paga imediatamente ou no fim do mês? Já que os orfanatos são o trabalho do Senhor, você não pode confiar Nele para suprir você com dinheiro para pagar as contas do açougueiro, do padeiro e do merceeiro? Afinal de contas, as coisas que você compra são necessárias para que o trabalho possa continuar”. Minha resposta é esta: Se este trabalho é o trabalho de Deus, então Ele é certamente capaz e desejoso de provê-lo.

Ele não necessariamente proverá no tempo em que nós pensamos que há necessidade. Mas quando houver necessidade real, Ele não falhará conosco. Nós podemos e devemos confiar no Senhor para nos prover com tudo quanto precisamos no presente, então não há razão para entrarmos em débitos. Eu poderia comprar uma quantidade considerável de mercadorias a crédito, mas na próxima vez em que estivéssemos em necessidade, eu me voltaria para novos créditos ao invés de me voltar para o Senhor. A fé, que é mantida e fortalecida somente pelo exercício, se tornaria cada vez mais fraca. Por fim, eu provavelmente me encontraria profundamente endividado e sem nenhuma perspectiva de sair do débito.

A fé repousa na Palavra escrita de Deus, mas não há nenhuma promessa de que ele pagará nossas dívidas. A Palavra diz: “A ninguém fiqueis devendo coisa alguma”. Romanos 13:8. A promessa é dada aos Seus filhos: De maneira alguma te deixarei nunca jamais te abandonarei. Hebreus 13:5b. “Eis que ponho em Sião uma pedra angular (Cristo), eleita e preciosa; e quem nela crer não será de modo algum envergonhado”. I Pedro 2:6. Não temos base nas Escrituras para entrar em dívidas. Nosso alvo é mostrar ao mundo e à Igreja que, mesmo nestes maus últimos dias, Deus está pronto para ajudar, confortas e responder às orações dos que Nele crêem. Não precisamos ir aos nossos companheiros ou aos caminhos do mundo. Deus é tanto capaz quanto desejoso de nos suprir com tudo que precisarmos no Seu serviço”.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Cuidado com a Crítica!

"O crítico além de exercer uma pose de superioridade, quando julga aos outros, ainda se constitui suspeito na condição de incriminado. Segundo a Bíblia, o mesmo juízo crítico que usamos para apreciar a vida dos outros, deve ser objeto do nosso próprio exame, sob a mesma categoria e debaixo do mesmo padrão. Portanto, és indesculpável, ó homem, quando julgas, quem quer que sejas; porque, no que julgas a outro, a ti mesmo te condenas; pois praticas as próprias coisas que condenas. Romanos 2:1.

Oswald Chambers abordando esse tema diz: Evite qualquer atitude que o coloque numa posição superior. No planeta onde o Cristo encarnado se recusou julgar aos outros, não convém aos filhos de Deus uma postura elevada de pretender ser juiz das outras pessoas. Se alguém ouvir as minhas palavras e não as guardar, eu não o julgo; porque eu não vim para julgar o mundo, e sim para salvá-lo. João 12:47.

Toda pessoa que se investe na categoria de julgador da vida alheia, acaba ficando com a presunção de ser alguém mais credenciada para a análise dos fatos, e que por isso mesmo, encontra-se dotada de uma posição superior. O perigo da teomania ronda o trono da crítica. Por mais despretensioso que seja o julgamento que fazemos aos outros, e por mais criteriosa que se apresente a censura, sempre se corre o risco de uma certa onisciência velada por trás dessa conduta, que procura valorizar o crítico acima do criticado".

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Estou aprendendo...

"Cuidado para não levar a vida como se fosse um rascunho. Você pode não ter tempo de passá-la a limpo!".

Shalom!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Biblia de Estudo


Vejo muitas pessoas comprando Biblias de Estudo com recursos que nunca irão usar.
Minha indicação é a Biblia de Estudo NTLH - Nova Tradução da Linguagem de Hoje.

É a melhor que a SBB já publicou, principalmente para os leigos.

Vale a pena. Uso todos os dias.


Shalom.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

O PERDIÇÃO DO CARNAVAL


Segundo Jesus há dois tipos de nascimento: o ato de nascer natural ou carnal e o novo nascimento sobrenatural ou espiritual. Todos os seres humanos chegam nessa terra através de um corpo nascido da carne, mas para alguém poder entrar no reino de Deus precisa nascer do Espírito. Aquele que nasceu da carne necessita nascer do Espírito, a fim de ser feito filho de Deus, pois o Espírito de Deus só se relaciona com o espírito do homem que foi regenerado. O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. Romanos 8:16.


O homem natural vive pelas leis da carne, uma vez que se encontra dominado pelo sistema da carne, mas o homem espiritual tem uma outra esfera de influência completamente diferente. Os dois princípios são divergentes e antagônicos. Não há o menor acordo entre a carne e o Espírito nem uma aliança entre o carnal e o espiritual. Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito contra a carne, porque são opostos entre si... Gálatas 5:17.


O homem natural não pode compreender a vida espiritual dos filhos de Deus. A mente carnal tem tanto interesse pelas coisas espirituais, como um urubu tem um apetite voraz por alpiste. A natureza da carne só se preocupa com as coisas da carne, e não adianta forçar essa tendência primitiva dos instintos carnais. Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus porque lhe são loucura, e não pode entendê-las porque elas se discernem espiritualmente. 1Coríntios 2:14.


Tudo na vida é uma questão de pendor, por isso, nada pode ser mais excêntrico do que um carnal tentando viver uma vida espiritual. A extravagância das aparências patenteia a tremenda patetice da hipocrisia que encobre a bicheira com o manto púrpura, para, de algum modo, pretender ocultar as manchas de sangue, sem, contudo, poder disfarçar o fedor do tecido podre. A conduta reflete sempre a disposição que norteia a natureza da vida. Porque os que se inclinam para a carne cogitam das coisas da carne; mas os que se inclinam para o Espírito, das coisas do Espírito. Romanos 8:5.


A origem do carnaval começa na idade média, quando a Igreja oficial influenciada pelas tradições pagãs, procura esvaziar a tensão da carne reprimida, com uma licença artificial, mas autorizada pela hierarquia do poder eclesiástico. Já que a mensagem burocrática da religião não conseguia promover a conversão do homem carnal em espiritual, o jeito foi permitir um tempo de vazão, para deixar sair a libido reprimida pelas regras e regulamentos dessa camisa de força legalista.
A etimologia da palavra carnaval é um tanto duvidosa. De acordo com M Lübke, o vocábulo deriva dos termos latinos, carne e levare, significando o tempo quando a Igreja suprimia o uso da carne no cotidiano; todavia segundo Petrocchi, a origem vem das palavras latinas carne e vale, significando: adeus, carne! Essa é possivelmente a acepção mais provável, pois reflete a tendência do esvaziamento repressivo que caracterizava a religião opressora e dominante da idade média.


O carnaval surgiu como uma associação complexa de três festas pagãs: as saturnais, dedicadas ao deus Saturno, com toda a sua orgia, as festas dionisíacas, oferecidas ao deus Dionísio, patrocinador das bacanais, e as festas lupercais consagradas ao deus Luperco ou Pã, para assegurar a fertilidade, e se caracterizava pela alegria desabrida, pela eliminação da repressão e da censura e pela liberdade de atitudes críticas e eróticas. A receita foi na medida para a propagação de um tempo de folguedo, de recreio desobrigado e desobediente, depois de tanta angústia sufocando a carne.


O bloco religioso denominado evangélico vem espiritualizando, hoje em dia, essa bagunça carnal, com o rótulo de cristoval, sob o pretexto de evangelização dos pecadores e divertimento inocente para os jovens da igreja. Com a aparência modificada, o festival da carne assume o controle dessa outra banda do cristianismo, fomentando suas velhas estratégias de esvaziamento da pressão moralista, de uma religiosidade opressora. A espiritualização dos festejos da carne tem causado uma confusão na identificação do perfil da verdadeira experiência cristã.
A religião é especialista na arte da santimônia, isto é: a arte da simulação de santidade. Porém é impossível domar o homem velho, a ponto de torná-lo um santo. A carne reprimida consegue por algum tempo portar-se com boa aparência, mas é preciso um escape de vez em quando. A função do carnaval era liberar o freio dos fiéis por três dias, pra que eles se tornassem foliões e assim dessem expansão à carne, esvaziando a tensão contida pelo medo dos castigos.


A carne refreada é uma tragédia. Não há cabresto capaz de moderar os instintos da carne, nem educação religiosa suficientemente competente para represar a força carnal. Por mais que o homem subjugue sua carne com métodos repressores, nada tem conseguido no sentido do descanso espiritual. Muita gente sincera tem procurado com todo empenho dominar com austeridade os seus impulsos carnais, mas sem qualquer sossego na alma. O apóstolo Paulo diz que tais coisas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e falsa humildade, e rigor ascético; todavia, não tem valor algum contra a sensualidade. Colossenses 2:23.


A carne sopeada, isto é, sofreada é só piada. É ridículo tentar sufocar os arrebatamentos impulsivos da carne. A história da igreja tem demonstrado o escárnio picante de uma multidão que se esforça para comportar-se adequadamente sob o patrocínio legalista de uma conduta comedida. É impossível alguém conseguir domesticar a carne, por outro lado, liberá-la é um horror. A carne sem governo é tragédia sem limites, pois esse carnegão do carnaval é realmente podre.
Ora, se refrear a carne é impossível, e dar permissão aos seus instintos é uma loucura, qual é então a opção que temos diante do problema carnal? Aqui entra o evangelho da graça realizando um milagre maravilhoso. Não há outro meio capaz de cuidar profundamente do problema da carne, senão Cristo Jesus crucificado. A obra eficiente de Cristo visa alcançar o pecador em toda a sua abrangência. Primeiro, a inclusão do pecador em Cristo na cruz, depois a participação efetiva do salvo na experiência de fé, diariamente.


Os dois lados experimentais da fé cristã se baseiam na verdade bíblica da união do pecador com Cristo, e na confissão pessoal de fé sustentada pela palavra de Deus. Inicialmente o pecador se vê em Cristo, sendo crucificado com ele, e em seguida, os que estão em Cristo carregam diariamente no seu corpo a mortificação do Senhor Jesus. Isso pode ser visto claramente nesse três versículos das Escrituras: E assim, se alguém está em Cristo é nova criação; as coisas antigas já passaram; eis que tudo foi feito novo. E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com suas paixões e concupiscências. Levando sempre no corpo o morrer de Jesus para que a sua vida se manifeste em nosso corpo. Gálatas 5:24, 2Coríntios 5:17 e 4:10.


Ninguém pode refrear a sua carne de modo satisfatório a ponto de gozar perfeita tranqüilidade espiritual, tampouco pode dar vazão a sua carne sem que sofra as conseqüências de uma vida culposa e descontente. O carnicão do carnaval é a carniça de uma vida carnal sem o menor contentamento. Como afirma J Blanchard, a felicidade superficial sem a santidade espiritual é um dos principais produtos de exportação do inferno.Entretanto, aquele que nasceu do Espírito mediante sua morte e ressurreição juntamente com Cristo pode, de fato, crucificar a carne com os seus desejos, carregando pela fé, sempre e por toda parte, a mortificação do Senhor Jesus em seu corpo. Não se trata de uma auto-extinção, nem de uma flagelação de si mesmo, mas da consciência espiritual de fé, que revela a morte de Jesus na cruz como sendo de fato a morte do pecador. Eu estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim. Gálatas 2:20.


A verdadeira vida cristã não sufoca a carne com expedientes de subjugação, mas por outro lado, não dá vazão aos seus desejos e apelos obsessivos, uma vez que a convicção profunda de fé adota uma postura de levar, sempre e por toda parte, os efeitos da morte de Cristo em sua carne, andando sob a consciência revelada pelo Espírito Santo de que é uma pessoa morta para o pecado. Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgias e bebedices, não em mpudicícias e dissoluções, não em contendas e ciúmes; mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo, e nada disponhais para a carne, no tocante às suas concupiscências. Andai no Espírito, e jamais satisfareis à concupiscência da carne. Romanos 13:13-14 e Gálatas 5:16.
Shalom.