quinta-feira, 20 de agosto de 2009

DEVER OU NÃO DEVER, EIS A QUESTÃO

Fuçando nos meus arquivos, encontrei estes dois, uma preciocidade para aqueles que estao buscando equilibrio na administração pessoal:
Saiba discernir uma dívida boa de uma ruim para pegar dinheiro emprestado. Se o fizer cegamente, será a sua desgraça

Neste mês quero escrever sobre dívidas. E por que falar de dívidas aqui, na seção Dinheiro & Alma? Porque dívida é coisa séria. Corretamente administrado, um empréstimo pode viabilizar a casa própria, um negócio próprio, um sonho profissional. Já usado da forma errada, vira uma viagem sem volta ao inferno na própria terra. Seja para uma país, uma empresa, seja para um indivíduo, o endividamento tem o potencial de ser uma fonte de vida ou um câncer financeiro.
Durante séculos, a prática do empréstimo foi condenada pelo cristianismo, com é hoje pela fé muçulmana. Para mim, a questão é: como deve sem se perder? Antes de mais nada, é preciso entender que uma dívida não sai de graça. O credor quer duas coisas: o principal e os juros. Ou seja, quer o dinheiro de volta na hora certa, na moeda especificada e com um algo mais que torne para ele compensadora a transação, os juros. Um credor não importuna quem honra suas dívidas. Já para o tomador que não paga na hora aplica-se o martírio. Em última instância, apela-se para a Justiça, que pode levar carro, casa, bens, investimentos e até a empresa do devedor para honrar o compromisso. Não é brincadeira.
Isso posto, soa sensato contrair dívidas? Depende. Nem toda dívida é, ao contrário do que muitos pensam, nociva. O endividamento saudável é aquele que permite o acúmulo de um patrimônio ao longo do tempo. Para a maioria das pessoas comuns é praticamente impossível poupar o bastante para a casa própria, para a educação dos filhos ou se entregar a um empreendimento sem uma muleta financeira. Tudo isso, porém, tem o potencial de gerar no futuro o capital necessário para quitar a dívida. O segredo da dívida boa é justamente este: o equilíbrio entre o comprometimento financeiro que ela gera no presente e o potencial de retorno que ela trará no futuro. A dívida boa permite que o cotidiano prossiga sob controle, de forma produtiva e ordenada.
É o caso de um imóvel. Todo mundo precisa de um teto para viver. Com um financiamento, esse custo pode ser controlado e, em muitos casos, potencialmente rentável. O próprio imóvel serve de garantia da dívida. E, em caso de inadimplência do proprietário, o agente financeiro toma o imóvel de volta. É um endividamento que, devidamente balanceado, pode ser considerado bom. Como regra, costumamos dizer que um financiamento imobiliário saudável toma entre 25% e 35% da renda bruta do lar, não mais que isso.
No caso do cartão de crédito, uma dívida saudável é aquela honrada facilmente mês a mês, ou a usada para tirar proveito de uma oportunidade especialmente boa. Pendurar dívidas no cartão indefinidamente é perigoso, já que os juros nesse caso costumam ser altos e levam a um círculo vicioso.
Certas dívidas são nocivas e ponto final. É o caso das contraídas por puro luxo e consumismo, sem finalidade produtiva nenhuma. Ela acaba com o patrimônio, acaba com relacionamentos, acaba com o orgulho e pode destruir uma família. Cuidado com elas. Feito da forma correta pegar dinheiro emprestado tem o poder de estabilizar sua vida e seus planos. Sabendo discernir uma dívida boa de uma ruim, você pode pegar dinheiro emprestado, sim. Se o fizer cegamente, as dívidas serão a sua desgraça.
Richard B. Wagner

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