segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Servir com liberdade


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Sucesso é servir

 

Não sirva esperando retorno a não ser que venha do nosso Senhor Jesus Cristo. Se você fizer para ser reconhecido ou para alimentar sua vaidade, você se tornará um escravo da pior categoria. Nada pior do que ser dirigido pela aprovação e aceitação das pessoas. Isto é pecado, pois em Cristo fomos aceitos e amados por quem realmente nos interessa.

O pecado estragou a todos. Se você servir buscando a recompensa dos outros, você se tornará um amargo de espirito, mergulhado na ansiedade. Pessoas não merecem. São más, são traidoras, interesseiras e doentes (assim somos todos). Elas não merecem, mas Jesus sim.

Já me decepcionei com tantas que passei a não mais me importar com esse tipo de coisa. Foram por tantas humilhações a ponto de ir pedir perdão altas horas da noite por algo que nem sabia o qual era minha falta, porque desejava ser aceito e preservar a ordem nos relacionamentos. Pessoas saem das igrejas sem dar satisfação alguma ao seus líderes que muitas vezes sacrificaram a família para dar atenção e ajudar esses que pereciam.

Mas por outro lado, ao servir a todos, sem distinção, mas por amor a Jesus, conheço na Igreja as mais preciosas pessoas que encontrei. Verdadeiras pérolas que o Evangelho produziu, e isto vale a pena por todos os déficits.

Focar nos outros e criar uma dependência emocional com elas tira nosso foco do verdadeiro serviço. São práticas que demonstram uma dependência escravizante. Uma mendicância emocional. Pastores e Pastoras que vivem assim, são ansiosos para preservar o crescimento das suas comunidades e, infelizmente, a manutenção das suas vidas materiais, o que se tornou imperativo para todos nós. (Veremos isso no capítulo sobre “crer”).

Se as pessoas forem nosso foco, estaremos lascados. Mas o problema não são elas em si, mas o que nos motiva a servi-las. Se o nosso motivo for a glória de Deus, estaremos sempre tranquilos, pois seremos achados fieis.

Hoje, eu sirvo as pessoas sempre pedindo a Deus que seja de modo saudável. Aprendi com o Apóstolo Paulo o seguinte:

 

Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens, cientes de que recebereis do Senhor a recompensa da herança. A Cristo, o Senhor, é que estais servindo; pois aquele que faz injustiça receberá em troco a injustiça feita; e nisto não há acepção de pessoas. Colossenses 3.23-25

 

Voltei a amar as pessoas e ser paciente pois sou servo do Senhor, e não dos outros. Faço como ao Senhor e não a elas. Assim posso estar recuperando o amor que sempre tive a Deus, pois Ele não nos chamou à escravidão nem a servi-Lo gemendo, mas com alegria.

 

Jesus Cristo, o servo

Mateus relata que, perto do fim do ministério de Jesus Cristo, uma atitude vil e competitiva desenvolveu-se entre os apóstolos, quando Tiago, João e a mãe de ambos tentaram fazer Jesus prometer-lhes tronos privilegiados no Reino. Palavras duras e gestos irados foram trocados entre os doze. Os ânimos se inflamaram, então Jesus os reuniu e disse:

Então, Jesus, chamando-os, disse: Sabeis que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles. Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será vosso servo; tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos. (Mateus 20.25-28)

Certa vez perguntaram a um regente de uma grande orquestra sinfônica qual era o instrumento mais difícil de tocar. “O segundo violino”, respondeu ele. “Consigo muitos primeiros violinistas, mas é um problema encontrar alguém capaz de tocar o segundo violino com entusiasmo. E se não há um segundo violino, não há harmonia”.

Naquele momento trágico entre os apóstolos, não havia “segundos violinistas”. E certamente nenhuma harmonia.

O evangelho de João continua o relato dizendo que os discípulos estão reclinados à mesa, com seus pés vergonhosamente sujos projetando-se atrás deles. A refeição está em andamento, mas a conversa é tensa. Que maneira deprimente de comer a Páscoa! Logo eles percebem que o Mestre se levanta da ceia e se afasta deles.

“Enquanto olhavam, ele removeu sua capa, e depois sua túnica. Ele estava completamente despido, nu. A seguir, tomou uma toalha e enrolou-a em torno do corpo.

Depois despejou agua em uma bacia e começou a mover-se lentamente em torno do círculo, lavando os pés estendidos de cada discípulo, enxugando-os com a toalha.

Foi um ato arrebatador. O midrash (comentário judaico das escrituras) ensinava que a nenhum hebreu, mesmo escravo, poderia ser ordenado que ele lavasse os pés de outra pessoa. Contudo Jesus Cristo o fez de maneira mais humilde possível, vestido apejas com uma toalha de escravo. Então ele disse:

Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também. Em verdade, em verdade vos digo que o servo não é maior do que seu senhor, nem o enviado, maior do que aquele que o enviou. Joao 13.14-16

Ele utilizou a lógica ancestral: se isso se aplica ao maior (eu), precisa aplicar-se aos menores (vocês). Esse é sempre um argumento poderoso. Porém, vindo de Jesus Cristo, ele é simplesmente constrangedor. Se o Deus do universo é um servo, como é que nós, suas criaturas, nos atrevemos a ser diferentes?

 

A síndrome dos poderosos

Hoje, definitivamente, o serviço e sacrifício ao estão na moda. Os “grandes” deste mundo deleitam-se em tronos e dão ordens. Eles medem seu poder pelo número de pessoas que comandam. Eles não servem – são servidos. Os que estão em posições elevadas expressam a antítese do exemplo de Cristo.

Para sermos honestos, isso também se aplica à igreja. Existe uma mentalidade – sabe-se lá de onde vem – que define o sucesso com um tipo de senhorio: sentar-se na poltrona de honra, ser o convidado festejado em almoços, falar para grandes multidões, edificar monumentos, colecionar títulos honoríficos, etc.

Há algum tempo, um Pastor da minha cidade me disse que não poderia ir a um determinado compromisso porque tinha uma reunião do ministério (...) Ao que perguntei: do que se tratava o tal ministério. Ele me respondeu que era do grupo de 100 pastores com mais de 3 mil membros que se reuniriam e pediriam direção para a Igreja do Brasil. CERTAMENTE VOCES NÃO PODEM VER MINHA CONDIÇÃO DE INDIGNAÇÃO. Quer dizer que os outros não estavam fazendo nada nos rebanhos que o Senhor deu para eles cuidarem?

Antigamente os obreiros eram conhecidos pela dedicação e caráter. Hoje são conhecidos pelo número de membros. Determinado folder de uma conferência para ensinar os sorumbáticos obreiros ansiosos por números mostravam os palestrantes, e em seguida o número de membros para validar o chamado. Definitivamente Jesus está fora de moda.

Não desejamos mais servir, mas desejamos o status. A morte ensanguentada de Jesus serviu para dar grandes títulos e empregos a muitas pessoas.

Para aqueles que pensam assim, o cristianismo existe para dar-me a vida eterna, aumentar minha saúde física, mimar meu corpo, aumentar o meu poder, elevar o meu prestigio e dar-me dinheiro para adquirir qualquer coisa que meu coração deseje.

A corrente que nos arrasta do serviço para o autosserviço é sutil e frequentemente imperceptível.

A lavagem dos pés retratou toda a vida de serviço de Jesus Cristo:

- ele se levantou da ceia. Como na encarnação, Ele se levantou do lugar de comunhão com Deus e o Espirito Santo;

- ele tirou suas vestes. Ao longo do seu ministério na terra, Cristo deixou sua existência em glória temporariamente de lado. Esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando semelhante a homens (Filipenses 2.6-7);

- ele despejou agua na bacia e começou a lavar os pés dos discípulos e a enxuga-los com a toalha com que estava vestido. De maneira semelhante, Jesus Cristo despejou seu sangue na cruz para lavar os pecados da humanidade culpada (Filipenses 2.8);

- após ter lavado seus pés, tomando suas vestes e reclinado novamente à mesa...”. Depois de ter realizado a purificação dos pecados, ele se assentou à direita da Majestade nas alturas (Hebreus 1;3)”

 

O serviço produz sucesso

Como vimos, o serviço produz o verdadeiro sucesso, pois nos tornamos mais semelhantes a Cristo. Agradecemos a Deus por não estarmos seguindo nossas fantasias, mas sim um chamado divino que nos proporciona muitas oportunidades de sucesso. Descobrimos que no serviço – e não no autosserviço- está o verdadeiro espirito de Cristo.

 

Na próxima meditação: sucesso é ter uma vida de oração.

 

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