terça-feira, 16 de junho de 2009

“Bom dia, cavalo!”

Escutem! Eu estou mandando vocês como ovelhas para o meio de lobos. Sejam espertos como as cobras e sem maldade como as pombas. Mateus 10.16

O Pastor e a Pastora são uns sujeitos muito legais. Realmente não conheço sequer um deles em que não encontre um coração bom, sempre disposto a ajudar, animar e restaurar as pessoas e as famílias. Eu mesmo muitas vezes me pego acenando para pessoas que nunca vi, pagando maior mico! Comento com minha esposa: “a gente que é pastor sempre dá bom dia a cavalo”, uma forma de dizer que cumprimentamos até quem não conhecemos no meio da rua! Por isto mesmo hoje em dia me preocupo um bocado com nossa classe boa praça. A notícia que transcrevo agora é da Folha de Londrina(PR):
O pastor Douglas Gonçalves Valle, 43 anos, que há cinco anos atuava na Segunda Igreja Presbiteriana Renovada, na Vila Nova (Centro de Londrina), e que estava desaparecido desde o final da tarde de sexta-feira, foi encontrado morto na tarde de ontem no Rio Santa Cruz, próximo à PR-445, em Tamarana (62 km ao sul de Londrina). O corpo estava com os braços amarrados envolvido num cobertor e apresentava diversos ferimentos na região da cabeça, dando fortes indícios à polícia de que foi espancado e morto e depois desovado no rio. Segundo fiéis da igreja, Valle teria sido visto pela última vez por volta das 17 horas de sexta-feira quando levava seu filho adolescente até a igreja e depois não voltou mais para casa.

Muitos de nós fomos discipulados e ensinados no ofício pastoral lendo livros como O Pastor Aprovado, do puritano Richard Baxter, que coloca sobre nós o peso irremovível da multidão de almas perdidas a serviço do bem; da santidade sacramental e por aí afora. Leia e fique em crise se você não crer na obra suficiente de Cristo na cruz. Sinceramente creio que Jesus nos libertou desses conceitos sem nos deixar descambar, pois é preciso continuar crendo na seriedade do Ministério Pastoral sendo fiéis ao chamado de Jesus, mas pelos caminhos da graça e da prudência. Abraçar o mundo é tarefa inútil e fora dos padrões modernos da liderança compartilhada e servil.

E no nosso tempo precisamos ficar um pouco mais maliciosos, não creditando boa fé em qualquer pessoa que apareça com traços marcantes de sofrimento. Todos os dias têm alguém pedindo dinheiro para comprar passagem, um drogado precisando de cuidado, e por aí vai. Um dos motivos que descartei uma experiência no exterior é o abuso que o Pastor/a é submetido/a ao ter que salvar os clandestinos da calamidade. Fico imaginando a horda de interesseiros ao procurar as igrejas. Certamente não estão atrás de Jesus, embora creio que possam vir a encontra-lo. A morte desse Pastor vem despertar para a necessidade de sermos um pouco mais prudentes. Sabe-se depois que esse homem da reportagem foi morto por pessoas que foram reconhecidas pelo homem de Deus, e que se sentiram ameaçadas. Não sabemos como foi o caso, mas lidamos com muita gente cuja nossa intenção é a melhor possível. Enquanto escrevo este artigo, um outro Pastor e sua esposa, ambos foram mortos com um tiro na cabeça por denunciar traficantes. Tentando procurar o nome do homem, descobri uma dezena de Pastores assassinados. Experimente fazer uma busca na Internet e você ficará perplexo.

Muitos se aproveitam da boa vontade dos vocacionados e causam muito sofrimento a eles e às suas famílias. A igreja é procurada por muitas pessoas em dificuldades, e pela cultura que foi gerada em nosso meio, sentimo-nos obrigados a atender todos os que estão caídos pelo caminho da vida. O problema é que nem todos esses são realmente os que necessitam de um cuidado samaritano. Existe muita picaretagem por aí.

É preciso cautela: não vivemos mais no tempo em que se aceitavam tênis usados, em que fazíamos vigílias tranquilamente no meio do mato até as cinco da manhã, onde se colocavam qualquer pessoa no quarto de visitas ou que se dá carona para qualquer pessoa. Existem mecanismos e meios próprios para sermos sal e luz no mundo, e é por ali que podemos exercitar nossa vocação pastoral. A reportagem que vimos no Jornal Nacional sobre a importância das Igrejas e seu trabalho social pelo Brasil é um exemplo. Também as comunidades locais com seus dons e ministérios são mecanismos ideais para o exercício da missão. O conselho de Jesus está bem atual. E como diz o antigo adágio: o seguro morreu de velho!

Shalom!

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