sábado, 4 de dezembro de 2010

O Nome Dele Não é Henry!

Compartilhei com a Igreja este testemunho muito interessante, de Larry Lea.

Eu tinha 17 anos em 1968 — quando fui trancado na ala psiquiátrica do Hospital Mother Frances, em Tyler, Texas. Tinha um automóvel conversível novinho em folha, uma namorada belíssima; era campeão de golfe de meu Estado, o que me rendera uma bolsa de estudos para a universidade. Morava numa imensa mansão (tendo só para mim todo o andar superior dela; dois quartos, dois banhos e um gabinete de estudos). Possuía tudo que um jovem pode desejar. Mas, apesar disso, fiquei completamente louco, pois todas as minhas posses eram coisas exteriores; interiormente não tinha nada.

Algumas semanas antes, havia tentado "pedir socor­ro" ao meu pai, um homem que havia enriquecido no ramo do petróleo.

Pai, me ajude! suplicara.

Mas ele era alcoólatra, e não conhecia a Jesus. Seu coração encontrava-se tão vazio quanto o meu. A única coisa que fez foi fitar-me uns instantes, não querendo crer no que ouvia, e em seguida exclamou, com forte sentimento de frustração:

Larry, você é um rapaz que tem tudo, e ainda assim se sente deprimido. Deve estar tomando drogas.

Minha mãe, que era crente, veio em minha defesa.

Meu filho não iria mexer com drogas, replicou, chocada com a insinuação de papai. Deve estar com tumor no cérebro ou algo parecido.

E ficou nisso. Certo dia, ainda nessa fase de depres­são, resolvi ir à igreja num domingo pela manhã, dese­joso de encontrar ali algo que fosse real. Estava tão necessitado de orientação espiritual que ao final do culto fui à frente, (apesar de saber que todos os meus colegas estavam sentados na última fila, a me olhar). E disse ao pastor:

Pastor, será que pode ajudar-me? Estou a ponto de enlouquecer, e não sei o que há de errado comigo.

Sabe qual foi a resposta do pastor? Deu-me um tapinha no ombro, e procurou tranqüilizar-me dizendo em voz baixa:

Isso vai passar, meu filho. Você é um bom rapaz. Olhe aqui, preencha este cartão.

Tudo que meu pai podia me oferecer era dinheiro, e a igreja, por seu lado, apenas um cartão para preencher. Não sabia a quem mais recorrer; e, como minha mãe continuasse insistindo em que devia estar doente, resolvi ir ao médico. Fiz diversos exames, mas não se constatou uma causa física para meus males emocionais. Então fui internado na ala psiquiátrica do hospital para me subme­ter a uma bateria de testes psicológicos.

Pouco depois da internação, entrou em meu quarto um médico que me disse num tom de voz compreensivo:

Acha-se um pouco deprimido, não é? Estes compri­midos aqui são excelentes, concluiu entregando-me qua­tro tranqüilizantes.

Daí por diante, de quatro em quatro horas, alguém vinha trazer-me os quatro comprimidos. Foi o fim; perdi todo o contato com a realidade, e mergulhei num mundo de penumbra. Os médicos disseram que se tratava de um colapso nervoso, mas na verdade o que eu tinha mesmo era um "colapso pecaminoso". Era pecador e ainda não tinha conhecimento da expiação realizada por Cristo. Também não sabia que era possível ter-se um propósito definido na vida.


Permaneci naquele hospital um mês e meio, sempre fechado entre suas paredes, sem ver o sol. Grande parte do tempo encontrava-me deitado, num profundo estado de torpor provocado pelas drogas, com os olhos revi­rados. Quando recobrava a consciência, pensava que a faxineira, uma senhora de cor, era minha mãe, e que o paciente do quarto em frente era o médico. E ali estava eu: herdeiro de uma grande fortuna, mas tinha perdido a razão. Afinal, meus pais, muito consternados e não sem certa relutância, tomaram as providências para que fosse transferido para o hospital estadual para doentes mentais.

Mas antes de ser levado para lá, certo dia, dei uma saída do quarto, e pus-me a caminhar pelo corredor, onde vi um crucifixo. Curioso, tirei-o da parede e, fazendo grande esforço para colocar os olhos em foco e aclarar as idéias, consegui ler a inscrição em latim: INRI. A mente ainda muito embotada, continuei a va­guear pelos corredores daquele hospital católico, reco­lhendo todos os crucifixos que encontrava, e pensando naquelas letras confusas. Assim que as freiras me viram segurando os crucifixos junto ao peito, vieram correndo para recuperá-los. Mas, ao vê-las, disparei também, perseguido por elas. Até esse momento estivera resmun­gando desconexamente. Mas aí passei a berrar apar­valhado: "O nome dele não é Henry... o nome dele não é Henry. O nome dele é Jesus!"

Alguns dias depois, houve um momento, no quarto, em que consegui recobrar totalmente a lucidez. Então me ajoelhei e me pus a clamar:

"Jesus! Jesus misericordioso!"

Não foi uma oração muito certinha pelos padrões religiosos. Simplesmente clamava por Jesus chorando, soluçando, suplicando-lhe que me acudisse.

De repente, ouvi uma voz interior falando ao meu coração. "Agora você é meu filho", dizia ele. "Levará minha mensagem a esta geração. Será meu ministro; minha voz." Em seguida, disse-me que podia me levantar e ir para casa.

Sentia-me completamente bom, mas não poderia sair, pois as portas estavam trancadas.

No dia seguinte, o médico veio me examinar e fez a pergunta de rotina:

Como está indo, Larry?

Agora estou bem melhor, respondi.

Não entendendo bem, ele teve um instante de hesita­ção e depois indagou secamente:

Por que acha que está melhor?

Fitei-o firmemente e disse:

Porque ontem conversei com Deus.

Ele franziu as sobrancelhas e resmungou meio cético:

Ah, bom.

Mas era impossível ele não perceber que meu tor­mento interior dera lugar a uma imensa paz. Alguns dias depois me deu alta.

Reconheço que é meio estranho pensar que alguém possa iniciar um relacionamento com Deus numa ala psiquiátrica, mas foi o que me sucedeu. Clamei a Jesus e ele entrou ali, atravessando portas trancadas e janelas gradeadas. Veio direto ao meu coração, e me fez um chamado para servir à minha geração. Quando saí do hospital ia como um potrinho recém-nascido, de pernas bambas; reiniciava a vida. Dessa vez, porém, não estava só; a partir daquele momento ele sempre cuidou de mim.

Por que fiz questão de voltar a essas páginas som­brias de minha vida para narrá-las aqui? Porque esse meu período de sofrimento está esquecido; é coisa do passado. Hoje, gozo uma paz profunda, e minha vida tem um propósito divino. E acredito que você, leitor, está incluído nesse propósito. Deus me fez chegar até você para que também participe da bênção que me concedeu.

Não sei em que pontos minhas experiências podem ser semelhantes às suas, nem a que altura desta exposição a Palavra do Senhor tocará seu coração, mas certamente tocará — e a verdade o libertará. E tudo que há de negativo em sua vida — os hábitos arraigados que o impedem de receber as melhores bênçãos de Deus, as formas obsoletas de enxergar a si mesmo e aos outros, as tradições estéreis que o controlam, embora a verdade há muito as tenha derrubado — tudo isso será contestado pelo Espírito de Deus, que faz novas todas as coisas.

Então eu o convido a gozar da mesma graça que gozo, e a aprender, sob a orientação amiga e terna do Espírito Santo, o que aprendi por meio das dolorosas experiên­cias que vivi, mas que foram tão preciosas para mim.

Como está você agora? Será que sua situação é tão desesperadora como foi a minha? Encontra-se num lugar de onde não possa sair, nem pagando; um lugar de onde não há meio de escape? Talvez não esteja numa situação dessas; talvez esteja apenas passando por uma fase de tédio espiritual, com a sensação de que não há nada de novo em sua experiência de vida. Converteu-se há alguns anos, e agora tem a impressão de que já ouviu tudo que tinha de ouvir. Há quanto tempo, pensa você meio cético, Deus não revela nada de novo a ninguém?

Pois deixe-me dizer-lhe uma coisa: pare de tentar resolver seus problemas por meio de racionalizações, ou de esperar que se solucionem com o tempo. Ore a respeito deles.

É bem provável que sua situação não seja desespera­dora, mas pode ser que o seja, não sei. O fato é que Deus só vem ao nosso encontro, comunica-nos sua paz e equaciona nossos problemas quando nos ajoelhamos e lhe falamos do quanto necessitamos dele, e invocamos o seu nome; e só fazemos isso quando estamos desespera­dos. É o que você tem a fazer. Faça isso, amigo. Faça-o agora.

E ao clamar a Deus não esqueça: o nome dele não é Henry. O nome dele é Jesus

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